~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~. MEU PERFIL~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.

Nome: Nilceu Francisco
Signo: Câncer
Raça: negra

Aniversário:11 de julho
Coisas que adoro: MPB, Rock, dormir, sexo, amigos, boa conversa, piadas, livros, cinema, etc
Coisas das quais não gosto : melancolia; destruição.

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Sobre as salas do Blogão Sertanejo o que você me diz?
Simplesinhas demais .
Se melhorar, estraga.
Adoro todas, são indescritíveis.
Não gosto de nenhuma.
Detesto essa onda sertaneja.
Resultado

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Chuá, chuá/Pena Branca e Xavantinho

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BLOGÃO SERTANEJO

 

O sertanejo na obra de Roberto Carlos

 

 

Roberto Carlos: afinidade com o sertanejo

Roberto Carlos (1941), principal líder do movimento Jovem Guarda (1965-1969) e artista latino-americano que mais vendeu discos no Mundo até o momento, sempre acalentou o desejo de gravar um álbum com músicas sertanejas. Sertanejas, não caipiras.

A diferença entre uma e outra, escreveu o jornalista José Hamilton Ribeiro (Música Caipira, Editora Globo, p. 32, 2006), citando o musicólogo Zuza Homem de Mello (1933), está em que sertanejo é o “gênero” e caipira é a “espécie”. Desse modo, comparativamente, tomando os macacos como exemplo: todos são primatas (gênero), apenas alguns são chimpanzés (espécie).

Sertanejo, digamos assim, é uma qualificação geral da música rural brasileira; é mais ampla, mais abrangente e traz no seu bojo os diversos ritmos que há no País, entre os quais o caipira, contemporaneamente denominado música raiz, que canta o modo de vida do homem interiorano em oposição à vida do cidadão urbano. O baião, o forró e outros ritmos (espécie) do Norte e Nordeste, por exemplo, são, igualmente, sertanejos (gênero).

Sempre entusiasmado com o que tem ouvido desde os nove anos de idade, época em que se apresentou pela primeira vez em público, cantando o bolero “Amor y más amor” (J.Remignard – R.Baud – B.Capo), na cidade de Cachoeiro do Itapemirim (ES), onde nasceu, Roberto Carlos jamais deixou de atualizar seu trabalho. Um dos seus ídolos de infância foi Bob Nelson (1918-2009), que cantava versões aportuguesadas da música country, estilo rural norte-americano; ele ouvia os sanfoneiros Luiz Gonzaga (1912-1989) e Pedro Raimundo (1906-1973) e a dupla caipira Tonico (1917-1994) e Tinoco (1920).

Nos tempos da Jovem Guarda, sofreu influência de Elvis Presley e Beatles; antes, se inebriava com as canções de Nelson Gonçalves (1919-1998), Alberto Fortuna (1922-1995) e Tito Madi (1929), daí seu trabalho apresentar ao longo desses 50 anos de carreira uma variedade de ritmos, todos, sistematicamente, conforme seu próprio gosto musical, que é marcado por alterações gradativas.

O conjunto da obra de Roberto Carlos avaliza que a música, presente na evolução cultural dos povos, é produto de aprendizagem contínua. A respeito de cultura, o antropólogo britânico sir Edward B. Tylor definiu, em 1871, como o conjunto dos “conhecimentos, das crenças, dos costumes, dos valores e de qualquer outra prática ou hábito adquirido pelos homens e pelas mulheres como membros de uma sociedade”. (Enciclopédia Barsa Universal, Editora Planeta, p.1728, 2007).

A melodia de “As Curvas da estrada de Santos” (1969), “Jesus Cristo” (1970) e “Todos estão surdos” (1971), por exemplo, foi composta no período em que ele se dizia influenciado pelo soul – gênero musical surgido nos Estados Unidos entre as décadas de 1950 e 1960. Outro ritmo entre os muitos que gravitavam ao redor deste compositor de forte viés romântico é o fox, usado como padrão rítmico, por exemplo, nas canções “Música suave” (1978) e “Emoções” (1981), reconhecidamente das mais expressivas que ele gravou.


A dupla sertaneja Chitãozinho e Chororó, em um especial de final de ano de Roberto Carlos.
Por conta dessa busca de variedades, dois dos programas televisivos de final de ano de Roberto Carlos contaram com participação das duplas Zezé di Camargo e Luciano (1984) e Chrystian e Ralf; Chitãozinho e Xororó (1986), expondo a afinidade do compositor com o estilo sertanejo, fortalecida em 1992 com a gravação de “Dizem que um homem não deve chorar”, cantado em ritmo de bolero, mas, de origem, um rasqueado de autoria de Palmeira (1918-1967) e Mário Zan (1920-2006) intitulado “Nova flor”.

Na verdade, ele e seu parceiro Erasmo Carlos (1941) passaram para o português a versão espanhola de Pepe Ávila (“Los hombres no deben llorar”), esta por sua vez originária da letra inglesa de Arthur Hamilton (“Love me like a stranger”), a mesma que é cantada pelo grupo vocal norte-americano The Letterman na trilha sonora internacional da novela “Pecado Capital”, da TV Globo, de 1976.

A relação de Roberto Carlos com a música sertaneja reaparece com a toada “O velho caminhoneiro”, no álbum de 1993, composta nos padrões da moda de viola: versos de sete sílabas, rimas nos versos pares e estrofes oitavadas. Não chega a ser uma obra de arte, da mesma forma que também não o são suas tentativas seguintes em compor canções sertanejas para um desejado disco do gênero que acabou não saindo do projeto. Mas, inegavelmente, a afinidade do compositor e do intérprete com o estilo ficou mais forte. Em 2006, no CD e no DVD “Duetos”, ele volta com a dupla Chitãozinho e Xororó, cantando “Amazônia” (de 1991) e os cantores Sérgio Reis e Almir Sater na moda de viola “O rei do gado” (Teddy Vieira), gravada em 1996.


Sérgio Reis com o violão, Roberto Carlos com a voz, e Almir Sater com a viola
No princípio de 2000, Roberto chegou a iniciar a concepção do almejado disco sertanejo: tinha quatro canções escolhidas, uma delas inédita, mas suspendeu o projeto (sua mulher, Maria Rita, falecera em 19 de dezembro de 1999). A lista foi guardada e em 2005 as quatro canções: “Arrasta uma cadeira”, “O baile da fazenda”, “Coração sertanejo” e “Índia”, ao lado de “Promessa”, “A volta”, “O amor é mais”, “Meu pequeno Cachoeiro” e “Loving you”, diametralmente opostas, saíram no álbum anual, que ele dedicou a Maria Rita.

Em “Índia” (Manuel Ortiz Guerrero-J. Asuncion Flores, versão de José Fortuna) Roberto não perde para os tradicionais intérpretes desta histórica guarânia: ele havia gravado esta música no disco da trilha sonora nacional da novela “Alma Gêmea”, da TV Globo (2005). Neste que seria o disco sertanejo da sua carreira, ele dá uma interpretação própria, intimista, em “Coração Sertanejo” (Neuma Moraes e Neon Moraes), justamente um sucesso de Chitãozinho e Xororó em 1996. Em “O baile da fazenda”, um arrasta-pé gravado em de 1998, com participação do sanfoneiro Dominguinhos, retorna aqui em ritmo country.

A faixa inédita do disco, “Arrasta uma cadeira” (Roberto e Erasmo Carlos) é também uma guarânia, cantada com a dupla Chitãozinho e Chororó, que se junta aos esforços de Roberto Carlos em trazer a música sertaneja para o conjunto da sua discografia. Um trabalho que pode não ter surtido o resultado que todos esperavam e Roberto Carlos talvez não tenha se sentido de todo satisfeito, mas, suas investidas trouxeram benefícios para a canção sertaneja. Pode-se não gostar, mas não se pode negar.

 

Veja a letra da toada “O velho caminhoneiro”, de Roberto e Erasmo, gravada em 1993.

O velho caminhoneiro
comandante das estradas,
debaixo daquele toldo
já são tantas toneladas.
Histórias, experiências
por detrás de um pára-brisa,
tanta coisa que machuca,
mas o tempo cicatriza

Existe em algum lugar,
numa curva do caminho,
uma ponta de saudade
de quando ele era mocinho.
Reduz a velocidade
e lembra da namorada,
que ficou no seu passado
na poeira de uma estrada.

Já pegou pelo caminho
chuva fina e tempestade,
asfalto, terra molhada,
lamaceiro de verdade.
No inverno ele se abriga,
no verão abre a camisa.
Pronto pra qualquer parada
porque o tempo não avisa.

Seu coração viaja em paz,
carregado de emoção demais, demais.
Dia, noite, madrugada ele sai,
não tem hora de partida.
No caminhão o que ele trás
é a coragem que ele tem, que é sempre mais.
Pulso firme no volante em frente vai
pela estrada e pela vida.

Na solidão da boléia
ele pensa na família,
na mulher à sua espera
e um leve sorriso brilha.
Olha o céu e olha a estrada,
acelera e vai embora.
No painel tem São Cristóvão,
Jesus e Nossa Senhora

Seu coração viaja em paz
carregado de emoção demais, demais.
Dia, noite, madrugada ele sai.
Não tem hora de partida,
no caminhão o que ele trás
é a coragem que ele tem, que é sempre mais.
Pulso firme no volante em frente vai
pela estrada e pela vida.

Seu coração viaja em paz,
carregado de emoção demais, demais.
Dia, noite, madrugada ele sai,
não tem hora de partida.
No caminhão o que ele trás
é a coragem que ele tem, que é sempre mais.
Pulso firme no volante em frente vai
pela estrada e pela vida

Seu coração viaja em paz
carregado de emoção demais, demais.

Fonte : Esta

Editor/Autor Nilceu


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O NOSSO  SERTÃO

 

 

No interior do país, nas vastas áreas do sertão, fatores históricos, sociais e econômicos, aliados às características de clima e vegetação, determinam fortes contrastes na paisagem nordestina e no nível de vida da população. Entre os aspectos de natureza físico-geográfica típicos da região, o fenômeno das secas constitui verdadeiro flagelo, responsável pelo permanente êxodo dos sertanejos.

Sertão é uma região geográfica caracterizada pela presença de clima semi-árido, vegetação de caatinga, irregularidade de chuvas, solos secos e rios intermitentes ou temporários. O sertão nordestino compreende as áreas mais secas e distantes do litoral leste do Brasil, situadas nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Apenas no Ceará e no Rio Grande do Norte o sertão chega até o litoral. O chamado Polígono das Secas totaliza 936.933km2.

O sertão do Nordeste apresenta três formações típicas: (1) amplas superfícies aplainadas, drenadas ao norte pelos rios Aracaju, Jaguaribe, Apodi e Açu, e a leste pelo São Francisco, o único rio perene da região; (2) maciços cristalinos, cujos esporões mais ocidentais são os da Borborema e das serras de Maranguape e Baturité; e (3) chapadas sedimentares, como as de Ibiapaba, do Araripe e do Apodi. Apresenta clima semi-árido, com estação chuvosa no verão, mas há amplas áreas onde predomina o clima tropical chuvoso, com inverno seco. Em alguns trechos, a taxa pluviométrica anual é inferior a 500mm, sucedendo-se, às vezes, vários anos de estiagem. As prolongadas secas determinam a emigração da população pobre.

As superfícies aplainadas são, em geral, cobertas por caatingas, formação vegetal onde predominam arbustos de folhas decíduas; são também abundantes as cactáceas e as bromeliáceas. Nos brejos onde há água durante todo o ano, localizados ora em trechos altos e expostos aos ventos úmidos de sudeste, como a serra Negra, em Pernambuco, ora ao sopé das baixadas sedimentares, como o vale do Cariri, no Ceará, dominavam densas formações florestais, hoje substituídas por culturas de mandioca, cana-de-açúcar e árvores frutíferas. Nas amplas várzeas de solos aluviais, situados nos baixos cursos dos rios que deságuam na costa, proliferam densos carnaubais. Nos espaços vazios existentes praticam-se lavouras de subsistência, enquanto nos tabuleiros cria-se gado bovino.

A densidade demográfica no sertão nordestino é baixa e varia de 5 a 25
habitantes por quilômetro quadrado. Grandes propriedades aí se localizam, quase todas dedicadas à pecuária extensiva e à agricultura.

Editor/Autor Nilceu


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É PRIMAVERA .

*Os dias  serão mais longos até o Verão

 *Inícia hoje e termina em 21-12

 

  

CONFIRA  A  SALA ESPECIAL DA ESTAÇÃO:

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Depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol”, desta maneira a escritora Cecília Meireles define a primavera, conhecida também por quem não é poeta, como simplesmente a estação das flores.

A primavera começa hoje (22) às 18h18 e acaba no dia 21 de dezembro, e marca o início de uma época em que a beleza da natureza se evidencia. O cenário da cidade se transforma, e onde antes eram encontradas árvores secas e praticamente sem vida, agora estão as flores e o verde.

A despedida do inverno também apresenta valor especial, principalmente àqueles que gostam do clima mais agradável, das cores, sons e cheiros da nova estação.

Segundo as previsões do Simepar (Sistema de Meteorológico do Paraná), a estação que possui como característica a transição entre o regime atmosférico de inverno, seco e frio, para o regime de verão, quente e úmido, será chuvosa e de temperaturas elevadas.

De acordo com o Simepar, durante os meses da primavera é observado um aumento natural no volume das chuvas em todo estado do Paraná decorrentes do deslocamento de frentes quentes e frias e também de eventos de curta duração, ocasionados pelas altas temperaturas e maior umidade do ar.

A primavera 2009, segundo as previsões, será mais atípica, pois o regime climático estará sobre a influência do El Niño no segundo semestre, ocasionando no Sul do Brasil maiores volumes de chuva acima da média histórica. Pancadas de chuva mais intensas, com grande incidência de raios e ventos fortes, também são esperadas. As temperaturas também devem ser mais acentuadas, pois o fenômeno resultará em maior amplitude térmica, com temperatura acima da média histórica.

A primavera começa hoje (22) às 18h18 e acaba no dia 21 de dezembro, e marca o início de uma época em que a beleza da natureza se evidencia. O cenário da cidade se transforma, e onde antes eram encontradas árvores secas e praticamente sem vida, agora estão as flores e o verde.

Editor/Autor Nilceu


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Organizadores divulgam que Festa de Barretos teve 720 mil visitantes

 

 


Segundo a organização da Festa do Peão de Barretos, o parque que sedia o evento de 11 dias na cidade paulista recebeu 720 mil visitantes para assistir aos rodeios e shows no festival que foi encerrado no domingo passado.

 


FOLIA SERTANEJA
 


O número é inferior ao de 2008, quando cerca de 800 mil pessoas estiveram na festa que já chegou a sua 54ª edição. Os organizadores não apontaram a razão para a queda na freqüência, mas dois fatores podem ter afetado.

O principal deles seria a atual epidemia de gripe suína (influenza A), que teria feito que potenciais turistas tivessem evitado a aglomeração humana por lá. Outro motivo seria o frio e a chuva que estiveram presentes nos primeiros dias de evento.

O maior evento de rodeio da América Latina chegou a ter 1,5 milhão de visitantes durante as festas da década passada, mas foram tomadas uma série de medidas pelos organizadores para restringir o público, seja para elitizar a frequência (com a cobrança de ingresso) seja tornando a festa "mais família" (a criação do Parque do Peãozinho foi uma das iniciativas).

Em 2004, para a comemoração dos 50 anos de festa em Barretos, o evento foi prolongado para 15 dias, o que aumentou o número de turistas para 1,2 milhão.


UOL

Editor/Autor Nilceu


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No meio de tanto country, Barretos resgata tradição da comida tropeira

 

 

                            Ingredientes


Resgatar a tradição sertaneja e sua gastronomia rústica. Esse é o objetivo da competição da queima do alho, uma disputa entre grupos de tropeiros baseada na tradição da viagem que faziam para vender seus bois. Tanto é assim que os jurados analisam mais a fidelidade ao modo de cozinhar que o sabor da carne serenada e do arroz de carreteiro, dois dos pratos que compõem a refeição.

 

Ela acontece tradicionalmente no último sábado da Festa do Peão de Barretos, e nesta edição participaram 18 comitivas vindas de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

 


A grande campeã deste ano foi a comitiva Água Doce, de Icem (SP), ganhou o prêmio de R$ 1 mil. A comitiva Nova Esperança, de São José do Rio Preto (SP) ficou em segundo lugar (premiação de R$ 800). Em terceiro lugar, ficou a tropa de Arabá (SP) levou o cobiçado troféu e mais um prêmio em dinheiro de R$ 500.


Como as viagens tocando gado duravam de três a quatro meses, as comitivas levavam no lombo dos animais alimentos não-perecíveis conservados em sal grosso.


 

Saiba tudo sobre a Festa do Peão de Barretos
Tradicional local de abatedouros e frigoríficos, Barretos era o ponto final da viagem de comitivas que vinham de Minas, Goiás e todo interior de São Paulo. E, na chegada, os cozinheiros das tropas realizavam competições para saber quem preparava a melhor comida.

 

Na disputa atual, as comitivas se dispõem em meio a um jardim, enquanto o júri vai passando e analisando a feitura de pratos como a paçoca de carne, o feijão tropeiro e o churrasco "queimado" sobre uma chapa de metal que antes de receber o bife se frita alho para temperar.Confira outras notícias sobre a festa em Barretos

 


Entre os jurados costumam ser escalados políticos, além de dirigentes locais e executivos das empresas patrocinadoras do maior rodeio da América Latina. Em anos de eleições, a concorrência aumenta. Lá estavam neste sábado Michel Temer, Romeu Tuma, Paulinho da Força e até o ministro do Trabalho Carlos Luppi.

 

Dois juízes avaliam a melhor comida dentro das antigas normas de preparo. Apesar da quantidade de políticos que costuma aparecer para opinar sobre os pratos, seus palpites não contam pontos.

 

Alguns dos concorrentes ainda trabalham como tropeiros e vieram em comitivas a cavalo até Barretos. As tropas e os tropeiros são uma atividade econômica e um estilo de vida que não deixaram de existir apesar do avanço tecnológico da pecuária brasileira. A presença é forte em regiões do Centro-Oeste.

 

Em meio a tanto decalque da cultura country norte-americana em Barretos (algumas provas do rodeio atendem pelos nomes nada nativos de "bareback", "team penning" e "bulldog"), a queima do alho é um rincão mais autêntico das manifestações culturais dento do Parque do Peão, assim como a disputa pelo melhor berranteiro.

 

A partir de 1999, os pratos da queima do alho foram estendidos para o público em geral durante outros dias da festa, não só para os jurados e convidados especiais, como na hora da disputa.

 

No Museu Histórico e Folclórico do Peão, montado no parque que sedia a festa, há um espaço reservado para os apetrechos da queima do alho, além das indumentárias antigas de tropeiros.


UOL Notícias

Editor/Autor Nilceu


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Rodeio injeta R$ 200 milhões e gera 20 mil empregos no interior de SP

 

A Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos (424 km a noroeste de São Paulo) anima não só o público que assiste aos rodeios, mas também é motivo de comemoração para empresários e trabalhadores locais. O tradicional evento injeta mais de R$ 200 milhões na economia regional, segundo estimativa dos organizadores.

Esta é a 54ª edição do evento, que neste ano vai de 20 a 30 agosto. Apesar da crise econômica global, o investimento direto só na organização da festa aumentou para R$ 15 milhões —um acréscimo de 25% em relação aos R$ 12 milhões gastos no ano passado.

Apenas um dos eventos previstos, a Copa do Mundo de Montarias em Touro, vai custar R$ 1 milhão. Pela primeira vez realizada no Brasil, a copa envolverá cinco países —Canadá, Estados Unidos, México, Austrália e Brasil. A competição está programada para o último fim de semana da festa (28 a 30 de agosto).

Além disso, os empregos diretos tiveram uma alta expressiva de 66%, indo de 3.000 no ano passado para 5.000 neste ano. Eles representam um reforço na área de segurança, limpeza e orientação, diz Jerônimo Luiz Muzetti, presidente da associação Os Independentes, que promove a Festa do Peão.

Mais 15 mil empregos são gerados indiretamente, de acordo com Muzetti, criando um total de 20 mil vagas.

O rodeio cria várias oportunidades. O recepcionista de hotel Marco Túlio Marques aproveita o evento para faturar um dinheiro a mais, usando a sua segunda profissão, a de DJ. "A festa ajuda todo mundo", afirma.

A sombra da crise


O presidente da associação diz que a crise preocupa, mas a expectativa é positiva. "Claro que a crise causa receio, mas os eventos concorrentes que antecederam Barretos (como os de Americana e Guaxupé) foram muito bem. Temos uma grade de shows e atrações, como a Copa do Mundo de Montarias em Touro, que nos dão a tranquilidade de que vai ser maravilhoso", afirma Muzetti.

Segundo ele, a crise não afastou os patrocinadores do evento e até atraiu mais outros. "Todos os nossos parceiros do ano passado continuaram e ainda tivemos acréscimos."

Os principais setores beneficiados pelo movimento criado em torno da festa são o hoteleiro, a locação de imóveis, o transporte e a alimentação, em um raio de até 200 quilômetros da cidade.

Hospedagem


O número de visitantes esperados para esta edição é de 800 mil, o mesmo do ano passado. Como a procura é muito grande, os hotéis de Barretos costumam lotar, e os turistas se hospedam em outras cidades da região, chegando até a Uberaba e Uberlândia, ambas em Minas Gerais.

Outras cidades usadas como base são São José do Rio Preto, Olímpia, Sertãozinho, Bebedouro e Araraquara.

Praticamente 100% das vagas disponíveis em hotéis de Barretos já estão ocupadas para o período do evento, segundo a organização.

O hotel Berrante Dourado é um exemplo. Vagas para seus fins de semana no período da festa estão esgotadas desde maio. Só há apartamentos disponíveis entre segundas e quarta-feiras. De quinta a domingo, não há jeito.

"Também há poucas vagas na rede hoteleira de cidades mais próximas como Bebedouro, Olímpia e Guaíra", afirma Fauler Marques, diretor de Turismo de Os Independentes.

Outra opção para os turistas é o aluguel temporário de casas e chácaras. Em uma das imobiliárias cadastradas no Departamento de Turismo de Os Independentes, o movimento é grande. Ademir Lourenço, diretor de uma imobiliária, diz esperar alugar mais de 70 imóveis.

O site de Os Independentes tem sugestões de
onde conseguir casas.

"O aluguel de casas é uma das atividades que mais geram renda para a cidade de Barretos", declara Muzetti. Há casas com valores de R$ 1.000 a R$ 7.000. Chácaras chegam a custar R$ 25 mil. Nesse valor, geralmente são alugadas por empresas.

Além das imobiliárias, também existe a opção de alugar uma casa diretamente com os proprietários.

A cidade recebe turistas de diversos Estados. No ano passado, 69% dos que foram em excursões, eram provenientes de cidades paulistas. Minas Gerais foi o segundo Estado, com 16,28% de visitantes. A festa também recebeu grupos vindos de Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Distrito Federal.

Comércio aquecido


No comércio de Barretos, os negócios chegam a dobrar. Segundo Carlos Miziara, empresário de moda e proprietário de 13 lojas na cidade, o crescimento das vendas é de 100% em função do evento. Os produtos preferidos são calças, botas, camisas e camisetas com temática country.

Os shows também movimentam a economia. Neste ano, até Roberto Carlos estará lá. Além dele, há Zezé di Camargo & Luciano e Edson & Hudson, entre outros.
UOL
CONFIRA  A PÁGINA ESPECIAL DE RODEIOS :

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Os Sertões - Euclides da Cunha

RESUMO

 

 

 

Este livro é dividido em três partes: A Terra, O Homem e A Luta. A Terra é uma descrição detalhada feita pelo cientista Euclides da Cunha, mostrando todas as características do lugar, o clima, as secas, a terra, enfim. O Homem é uma descrição feita pelo sociólogo e antropólogo Euclides da Cunha, que mostra o habitante do lugar, sua relação com o meio, sua gênese etnológica, seu comportamento, crença e costume; mas depois se fixa na figura de Antônio Conselheiro, o líder de Canudos. Apresenta se caráter, seu passado e relatos de como era a vida e os costumes de Canudos, como relatados por visitantes e habitantes capturados. Estas duas partes são essencialmente descritivas, pois na verdade "armam o palco" e "introduzem os personagens" para a verdadeira história, a Guerra de Canudos, relatada na terceira parte, A Luta. A Luta é uma descrição feita pelo jornalista e ser humano Euclides da Cunha, relatando as quatro expedições a Canudos, criando o retrato real só possível pela testemunha ocular da fome, da peste, da miséria, da violência e da insanidade da guerra. Retratando minuciosamente movimento de tropas, o autor constantemente se prende à individualidade das ações e mostra casos isolados marcantes que demonstram bem o absurdo de um massacre que começou por um motivo tolo - Antônio Conselheiro reclamando um estoque de madeira não entregue - escalou para um conflito onde havia paranóia nacional pois suspeitava-se que os "monarquistas" de Canudos, liderados pelo "famigerado e bárbaro Bom Jesus Conselheiro" tinham apoio externo. No final, foi apenas um massacre violento onde estavam todos errados e o lado mais fraco resistiu até o fim com seus derradeiros defensores - um velho, dois adultos e uma criança.

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INVERNO : A ESTAÇÃO COMEÇA HOJE, ÀS 02H45

 

 

 

 

Inverno é mais fria estação do ano. No hemisfério norte, se inicia por volta de 21 de dezembro, no solstício de inverno, e termina em 21 de março, no equinócio de primavera. Já no hemisfério sul, o inverno se inicia em 21 de junho e termina em 23 de setembro.
Na mitologia grega, Zeus ordenou que Perséfone, sua
filha com Deméter, ficasse seis meses com sua mãe e seis meses com Hades, o deus da escuridão. Deméter teria se entristecido, e por causa desses períodos em que ficaria longe de sua filha, teria se originado o outono e o inverno.

Em certos períodos do movimento de translação, alguns pontos da Terra ficam bem próximos ao sol, em contrapartida, outros ficam mais distantes. Na parte que está mais próxima do sol, é verão; na mais distante, inverno. Por esse motivo, nenhuma estação pode ocorrer simultaneamente em dois pólos da Terra.

O inverno é caracterizado, principalmente, pelas baixas temperaturas. Durante a estação, várias espécies de animais, principalmente de pássaros, migram para outras regiões mais quentes. Outros animais, como ursos, hibernam nesse período, reduzindo grandemente sua atividade metabólica. Em muitas regiões, pode ocorrer a incidência de neve e geadas.

No Brasil, pelo fato de não haver estações bem definidas, o inverno não é tão rigoroso como em outras regiões de clima temperado; os efeitos típicos da estação são sentidos apenas na região Sul, que apresenta temperaturas pouco acima dos 0ºC. De fato, o inverno causa chuvas generalizadas nas regiões Sul e Sudeste, além de constantes inversões térmicas em muitas cidades.

 

CONHEÇA  A SALA ESPECIAL DE INVERNO:

 

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A paixão do sertanejo, só o próprio sertanejo entende

 

 

 

A vida do sertanejo às vezes é uma grande peleja.
É quando falta comida, mas sobram espinhos na caatinga...
... E só o mandacaru e os pés de juá emprestam verde à paisagem.
É quando o açude seca, quando racha o solo.
É quando o gado cai ao chão, só pele e osso.
E, mesmo assim, o auxílio da emergência vai para os compadres do prefeito.

 

Mas nada disso abala o sertanejo.

 

Sua fé é firme, sua esperança nunca seca.
Existe uma paixão que é mais forte, e que se reacende quando a primeira nuvem escurece.
Existe um orgulho de ser lutador...
...De trabalhar nas mesmas terras que foram dos seus bisavós, dos seus avós e pais.

 


Por isso, o apego aos santos, o joelho no chão (como raízes), e as mãos para o céu.
Por isso, uma gota que cai do céu – ou que só ameaça cair – já é um alívio...
... E, dos olhos, não saem lágrimas de lamento.

 

 

Por isso, a primeira chuva já lava todas as dores.
O verde que brota é a própria redenção.
E a colheita, sozinha, traz uma alegria sem tamanho.

 

 

Isso, só quem é do sertão pode entender...

 

 


Texto escrito para abertura da apresentação da quadrilha junina Luar do Sertão, do distrito de Taquaruçu (Palmas-Tocantins) 
 Flávio Herculano · Palmas (TO)

Editor/Autor Nilceu


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COMO VENDEM OS SERTANEJOS 

 

 


É opinião generalizada de que os nossos irmãos norte-americanos realmente sabem vender. Todos os veículos de publicidade – é igualmente, nossa impressão – parecem insuficientes, naquele país irmão, para encaminhar todos os apelos de vendas de comerciantes, industriais, agricultores, etc. Daí a febre de interesse pelos métodos práticos de venda, pelas frases que fomentam o aumento de negócios e por quantas coisas mais que implicam progresso.

A gente humilde de Pacatuba não conhece, é evidente, os métodos modernos que os americanos empregam para promover suas vendas, ampliar sua indústria, favorecer as trocas que presidem o desenvolvimento do comércio e garantem o bem-estar da coletividade. Não, ninguém naquele burgo de difícil evolução, conhece, por exemplo, livros como Frases que têm vendido, de Eimer Wheller, ou Escola de vendedores, de Harold M. Hass. Mas todo mundo ali, em sua simplicidade, sabe utilizar os mesmo métodos que esses técnicos de publicidade descobriram para fazer crescer os negócios de Tio Sam.

"Diga com flores..." É este um dos pontos principais da doutrina de Wheeler, que significa: provar o que se diz e que, no fundo representa uma maneira de ser o vendedor agradável ao cliente no ato de comerciar. Como faz esta ou aquela casa de negócios, em vilas ou cidades modestas do nosso hinterland, todas enfim fomentam suas vendas quase que rigorosamente dentro dos mesmo princípios. O sertanejo diz com flores. A laranja que vende, a banana, o doce é sempre a mais gostosa, a mais saborosa ou o mais rendoso que ele guardou "especialmente" para o freguês. Não é um vendedor "parado", isto é, sem interesse de vender. Ao contrário: gosta de mandar amostras do que possui à casa dos interessados, às pessoas influentes do lugar:

- Menino, vá mostrar esses abacates ao doutor fulano. Diga que eu me lembrei que ele gosta de coisa boa...O abacate é uma especialidade"...

É um artífice. Não sabe o que é slogan, mas muitas vezes o nome da bodega é quase uma legenda a expressar a marca definida de um bom serviço: A casa do pobre. Nosso barateiro, Balcão da sorte, etc. A impressão mais rudimentar que tem a respeito de vitrina é que essa significa um mostruário de vendedor ambulante, melhorado. Então procurando imitar, faz uma réplica do mostruário, pendurando numa tábua especialmente para esse fim, ou ao longo das prateleiras, em sentido horizontal, vidros de perfume, sabonetes, etc. Tudo preso a cordões.

"Não venda a sardinha...venda o sabor da sardinha"... Bem é outra regra comercial de grande importância, regra número um para o êxito de qualquer negócio na opinião de Mr. Wheelem. Ninguém discordará, nem mesmo o nosso simplório homem do campo que sabe a importância do aspecto do produto para a realização da venda.

– É milho de primeira. É do roçado do coronel beltrano.

Que vantagem poderá significar para o comprador ser o milho um produto da propriedade daquele senhor? Aparentemente, nenhuma, mas só a maneira de falar do vendedor já o leva a preferir o milho na certeza de que o coronel beltrano deve ter terras muitos boas, colhendo assim espigas de primeira qualidade. Daí porque há sempre a atração de sabor, de importância e qualidade, nestas diversas maneiras que o sertanejo anuncia sua mercadoria:

- É abacaxi de Cascavel!
– Rapadurinha de coco, do Cariri!
– Laranja de Russas!

Quase sempre o produto anunciado não é de Cascavel, nem do Cariri nem de Russas. Mas o vendedor popular sabe do efeito mágico de suas palavras: há uma tradição de que a melhor rapadurinha é a que se fabrica no Cariri. Por isso mesmo em sua maneira de anunciar vai tentando o freguês com o "gosto da sardinha", isto é, com o sabor da coisa, não técnica concebida por Elmer Whelher e que há vendido milhões na América e presidido na prosperidade de homens inteligentes.

Donald Pierson, numa separata da revista Sociologia, referindo-se ao tema "Etiqueta em Cruz das Almas", dá-nos, em termos exatos, o que é o sistema de compra e venda do hinterland: "A etiqueta de fazer compras difere acentuadamente da que caracteriza ordinariamente a cidade. Um negociante trata seus fregueses quase sempre como se fossem hóspedes que viessem à sua casa para uma visita. Entrando numa venda, um freguês pode sentar-se num banco ou num saco de feijão ou outro objeto semelhante, e ficar horas conversando com o proprietário e outros homens presentes". E é isso na verdade que sempre acontece. Surgem as perguntas sobre a família de ambos, isto é, do vendedor e do comprador, representando portanto, conforme frisou aquele estudioso, o ato de fazer pra mais uma atitude social do que comercial.

Acredita-se que muitos antes do Mr. Elmer Wheller já os meus conterrâneos de Pacatuba sabiam vender "anunciando o seu produto com flores" isto é, mostrando-os ao cliente sob uma aura de simpatia. Sendo freguês de uma venda o sertanejo tem direitos especiais: é como se pertencesse à família do próprio vendedor. Pode discutir os preços, com liberdade, pegar as frutas, não tem receio de mandar que o freguês examine os produtos que expõe no balcão:

Pode pegar... é laranja de casca fina, doce!

Às vezes, mais incisivo: - Não tenha cerimônia, pode experimentar...

Frases especiais estimulam a venda: "Se a cana não for um doce o senhor num paga nada..."; "Queremos ser um cigano pé no chão se o mel não prestar"; "Desengano da vista, é furar os olhos: Pode tirar um pedaço pra experimentar"; "Estou vendendo no claro, num tem essa história de esconder, não"; "Bote o preço, moço, que eu tou aqui é pra vender..."; "Quem vende o que é bom é mesmo que tá vendendo duas vezes, etc, etc.

E assim, vai o vendedor popular, o comerciante estabelecido em pequenas cidades sertanejas promovendo suas vendas. Muitas vezes começa modestamente e acaba um dia próspero comerciante na capital, ainda não de todo servido das luzes da arte de comerciar de centros mais adiantados. Mas que lhe interessa isso, se sabe dizer com flores, se sabe vender o sabor de sua mercadoria, tal e qual ensinam os expertos em publicidade como Wheeler e tantos outros?

O assunto é um convite a estudos mais esclarecedores e mais profundos. O que escrevemos vale apenas um lembrete.


(Campos, Eduardo. "Como vendem os sertanejos". O Jornal, Rio de Janeiro, 3 de novembro de 1957)

Editor/Autor Nilceu


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MEMÓRIAS, CASAS  E  CORAÇÕES

 


Faz parte de nós, de nossa alma, o lugar onde habitamos por longos anos. Fica impregnado com nossos corpos fluídicos e nele habitam, conosco, nossos sentimentos mais profundos, sejam de amor ou ódio.  São quatro horas da manhã do dia 26/10/2007. Não sei por que ao certo, mas acordei e estou agora a escrever, pois amigos que considero “espirituais” falam-me “ao ouvido” e posso senti-los a me incitar e orientar na escrita deste texto.

Sei que a cidade se verticaliza e há um grande “boom” imobiliário acontecendo em Abaeté. O medo de perder seus bens imóveis tomou conta de pessoas que não compreendem bem essa lei cultural que se chama “tombamento”.  Na Administração passada, houve até uma tentativa do município para se efetivar essa lei federal, criando o Conselho Cultural e outros trâmites legais, mas na época, o presidente da Câmara dos Vereadores entrou com uma emenda (como se o município pudesse cortar, recortar e costurar sanções do Executivo maior)...

Bom, quem quiser saber mais sobre isso é só se informar, porque o que me leva a escrever, a essas horas da madrugada, com clarões de relâmpago e uma bendita chuva caindo lá fora, é o meu coração. São lembranças... Minhas e de outros amiguinhos. Posso lembrar de escadas e janelas, de jogos de cartas, de livros e figurinhas, de frango com quiabo e angu, de alpendres e tardes mornas...

“- Ah, manhãs de abril, e jogar água em minhas plantas.” Minhas flores e braúnas... Agosto, meu chapéu de Panamá!
Vago, entre destroços e construções. Uma carruagem de Luz me espera ansiosa. Sei que, daqui a pouco, terei o conforto, a alegria, o cheirinho de café e letras novamente, numa imensa varanda posta de frente para um prado verdejante e uma grande alameda de buganvílias, sempre floridas, por onde passamos até o refeitório.

“Não só de pão vive o homem”. Sábias palavras do Mestre.

Está frio, e o suor pinga pelos cotovelos, pois é forte  a emoção ao sentir o que escrevo. Sinto o sabor de vitamina de abacate, sinto o cheiro de papel impresso, de mangueiras em flor... Sinto o banho de bacia e a algazarra de colegiais em bando...

Sinto que estejam “TOMBANDO” , literalmente, patrimônios e memórias do povo de Abaeté.
Sinto, sinto muito, as noites e amanheceres de fim de semana não serem mais os mesmos. Fugiram, se tomaram de espanto e susto! Como “EU”.

 

por Valério Lúcio Gabriel

Editor/Autor Nilceu


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Cotidiano sertanejo

 



O sertanejo acorda,
O céu o espera em espetáculo
Um restinho de noite ainda teima ficar,
Quer ver o dia em luz abrindo-se!
É o sol
A flor da luz,
Que ora é espinho só dor...
Bem depois ele é flor!
Nessa hora ainda, o sertanejo,
Olha para o céu
Acredita em dias melhores,
Hoje não!
Ele espera!
Encosta a enxada no chão,
A semente cravada na terra
Aguadas pelo seu suor
Guarda-se para mais tarde,
Assim também ele!
Acende uma vela ao santo,
Iluminar sua fé!
Nos dias de espera,
A esperança lhe espera
Ela é paciente, o espera
E compreende se ele desesperar...
No céu ele vê sinais,
Que o sertanejo entende
Ele conhece esses sinais
Quase tanto os seus...
E o crepúsculo avizinha-se
O sol quase indo,
Ainda deixa uns teimosos raios
De si para olhar a noite!
E o céu já sem estrelas,
Todas elas nos olhos do sertanejo
Que está a olhar o céu!
O sertanejo dorme,
A natureza guarda para ele
Um amanhã espetacular!



Marluce Freire Nascasbez

Editor/Autor Nilceu


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         Trens sertanejos


             
Nasci e me criei ouvindo o apito dos trens. 
              Eles passavam por minha cidade vindos de Fortaleza ou do Crato. 
             Meus parentes, pelo lado materno, eram todos empregados da extinta Rede de Viação Cearense, a RVC, hoje uma ferrovia federal, esculhambada, e com outro nome.
              Lembro-me, com saudades, das honestas marias-fumaça.
            - "Lá vem a 302", gritava a meninada, movimentando a estação do Iguatu.
            - "É a 401 que está chegando", dizia a mocinha, de olho nos trilhos, esperando o namorado...
            As marias-fumaça não eram velozes; não eram  máquinas possantes.
           Algumas, na subida de um pequeno serrote, fraquejavam. Para prosseguirem, precisavam da ajuda de uma  máquina mais nova, que fazia o papel do Cirineu da Bíblia.
           As viagens nos trens da RVC -  que partiam ou chegavam quase sempre atrasados - eram demoradas e exaustivas. 
          O que levou o poeta e ironista alencarino Quintino Cunha - sobre quem um dia escreverei - a chamar a Rede de Viação Cearense de Rapariga Velha Cansada.
           Hoje, as ferrovias brasileiras - não apenas a finada RVC - são uma lástima.
           Não vou, aqui, massacrar o leitor com mais uma crônica sentando o pau em quem não cuidou bem da nossa malha ferroviária.
           Proponho-me, sim, a recordar os ótimos tempos dos trens que me levaram, dezenas de vezes, do sertão para a capital e da capital para o sertão: os queridos trens sertanejos.
            Nas décadas de 1940-50, os trens que cortavam o interior do Ceará não eram trens de luxo. Mas dava pro cidadão viajar sem constrangimentos.
           Até chegarem as máquinas a diesel, o percurso entre o Crato e Fortaleza - trecho que conheço bem - era feito em dois dias, com animados pernoites em duas simpáticas cidade: Iguatu e Senador Pompeu. 
           Ir à estação esperar o trem, era uma festa. 
           Em muitas localidades, chegava a ser principal diversão.
           Esperando o trem, podia-se ver o vigário (de batina), o Juiz de Direito, o Promotor de Justiça, o delegado de Polícia e outras autoridades do lugar. 
           Os jovens marcavam seus encontros para "a hora do trem".  Na estação, havia, invariavelmente, sorrisos e lágrimas...

           De trem, passei por interessantes e agradáveis cidades cearenses. Por exemplo, Baturité e Quixadá. 
           A fértil Baturité, de clima maravilhoso, fica no sopé da serra que lhe deu o nome. 
         Cidade-pomar -  não sei agora - mas naquela época ela oferecia aos passageiros uva, abacate, abacaxi, tangerina, pinha, e a saborosa manga-rosa, cujo cheiro acompanhava o trem pela estrada afora.

           Quixadá.  Quando o trem se aproximava do Quixadá, minha atenção dos se voltava para  duas coisas: a fazenda Não Me Deixes, da saudosa escritora Rachel de Queiroz; e a "galinha choca".

          Não Me Deixes.  No seu imenso terreiro, dezenas de gansos, fazendo um alvoroço dos diabos, anunciavam a passagem das marias-fumaça pelas terras da querida romancista.
         Como os gansos do Capitólio, eles garantiam o sossego e a tranqüilidade de Rachel, nas suas férias nordestinas.

          A "galinha choca".  Esculpida na pedra pela Mão de Deus no alto da serra,  ela encantava a todos. 
          Para mim, depois das jangadinhas dos "verdes mares bravios", a "galinha choca"  é o  cartão-postal mais bonito do Ceará.
          OH! Os queridos trens sertanejos... 
           Fecho meus olhos, e vejo as marias-fumaça, lentas, frágeis, esforçadas, diligentes, disponíveis, alegrando o sertão, com seus apitos prolongados.
           Quebravam aqui, quebravam ali, mas serviam ao povo com humildade, e quase de graça.

          Para aqueles que gostam dos trens, deixo, aqui, estes versos do jurista e poeta baiano Raymundo de Souza Brito, que conheci na tribuna do Juri, em Salvador, fazendo, em memorável discurso, a defesa do seu cliente.

Volta Não

O derradeiro encontro na estação,
na hora da partida. 
O moço rico vai voltar para a cidade.
Tudo, afinal, fora simples fantasia.
Findara o breve sonho de Verão.
- "Adeus, Maria!...
- Você vorta, João?
- Volto, Maria!"
E a sertaneja soluçante:
- "Eu fico aqui morrendo de sôdade,
   você vai pras belezas da cidade...
   e eu tão distante...tão distante!"
- Você vorta, João?
- Volto, Maria!"
E o povo em torno da balbúrdia da partida:
- "sai da frente, gente!"
- "olhe o embrulho, esquecida!"
- "me dê meu troco, moço!"
Lá vai o trem!...
- "Adeus, Maria!"
- "Você vorta, João?"
- "Volto, Maria!"
E o trenzinho, vencendo a curva extrema do chapadão:
- Volta, não, volta, não...
- Volta, não, volta, não...
- Volta, não, volta, não"...

 


Felipe Jucá

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FELICIDADES   A VOCÊ QUE    SEMPRE

PRESTIGIA  ESTE E OUTROS ESPAÇOS

NOSSOS , COM SUAS  PALAVRAS ,

OU COM SUAS INTENÇÕES . QUER

ESTAR SEMPRE VISITANTO, EU SEI ,

MAS POR FORÇAS DO COTIDIANO

NÃO PODE.

QUE VENHAM  MAIS 365  DIAS E

VOLTAREMOS A COMEMORAR  NOSSA

DATA  !

 

PARABÉNS ;

 

N

Editor/Autor Nilceu


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"Tristeza do Jeca" é a melhor música caipira de todos os tempos

 

 Tonico e Tinoco

 

"Uma música especial, com letra bela, mas diferente do que tocam por aí", aprovou o doutor Nestor Seabra. Era uma tarde de 1918 e o elogio se dirigia ao autor da singela canção, Angelino de Oliveira, um dentista, mas que também vendia imóveis, liderava o trio Viguipi (violino, guitarra, piano) e, vez por outra, ainda assinava como escrivão de polícia de Botucatu.

Já o Nestor Seabra --presidente do Clube 24 de Maio, um dos mais tradicionais da cidade-- era quem havia encomendado a tal da "música especial" ao multifacetado Angelino.

E foi no 24 de Maio, sob o olhar satisfeito do doutor presidente, que Angelino tocou e cantou "Tristeza do Jeca" pela primeira vez. "Teve de bisar a música cinco vezes", conta o jornalista e pesquisador Ayrton Mugnaini Jr., autor da "Enciclopédia das Músicas Sertanejas" (Letras & Letras, 2001).

Noventa anos depois, "Tristeza do Jeca" é a campeã de uma eleição feita, a pedido da Folha, por um grupo de 16 críticos, pesquisadores e compositores. Sem ser científica ou estatística, a enquete aponta alguns dos maiores clássicos da música caipira e ajuda qualquer interessado pelo gênero a montar um CD danado de bão.

Tatu

 

Inspirada no Jeca Tatu, personagem do livro "Urupês" --que Monteiro Lobato havia lançado naquele mesmo longínquo 1918--, "Tristeza do Jeca" deixou marcas profundas.

"O tom desencantado da letra deu, por um tempo, ideia de que música caipira tratasse só de morte, de tragédia, o que não é verdade", afirma José Hamilton Ribeiro, autor do livro "Música Caipira - As 270 Maiores Modas de Todos os Tempos" (ed. Globo, 2006).

Já o jornalista Marcelo Tas, fã apaixonado do estilo sertanejo, recorre a lembranças interioranas para justificar seu voto: "Que me desculpem Tonico e Tinoco, mas o melhor intérprete desta canção foi meu 'vô' João. Nas festas da família lá em Ituverava, sempre chegava a hora dele cantar, cheio de orgulho e com uma verdade doída saindo do peito, que 'nasceu num ranchinho à beira-chão todo cheio de buraco onde a lua faz clarão'. Todo mundo deixava o que estava fazendo para ir correndo ver o show. Um verdadeiro 'resumo da ópera' caipira."

 

Mazzaroppi e Geni Prado

Além deles, votaram os historiadores Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello (ambos autores de "A Canção no Tempo", Editora 34, 1997), Fernando Faro (criador do programa "Ensaio"), Rosa Nepomuceno (autora de "Música Caipira -Da Roça ao Rodeio", editora 34, 1999), Aloisio Milani (roteirista do "Viola, Minha Viola"), Assis Ângelo (autor do "Dicionário Gonzagueano, de A a Z"), Carlos Rennó (organizador de "Gilberto Gil - Todas as Letras), Luís Antônio Giron (editor de cultura da revista "Época") e Marcus Preto (colaborador da Ilustrada).

Quatro artistas também participaram: Tinoco (da dupla com Tonico), Zezé di Camargo, Renato Teixeira e a dupla Milionário e José Rico, que votaram em dupla. As listas completas, com a ordem de votação de cada eleitor, e alguns comentários sobre cada canção, podem ser lidas em www.folha.com.br/090651.

Tuia  

"Tristeza do Jeca" --assim como a maioria das 78 músicas citadas na votação-- foi gravada e regravada por todo mundo, no meio sertanejo e fora dele. No filme "2 Filhos de Francisco" (2005) foi a vez de Maria Bethânia e Caetano Veloso.

Mas a versão mais votada pelos especialistas consultados foi mesmo a de Tonico e Tinoco. "Ela abria e fechava o 'Na Beira da Tuia', nosso programa na rádio Bandeirantes", lembra Tinoco, 88.

"Tuia? Ora, tuia é onde a gente guarda enxada, saco de milho, essas coisas... Mas esse povo da cidade não tem 'curtura' nenhuma 'mermo'..."

 

A  LETRA  DA MÚSICA

 

Composição: Angelino de Oliveira

 

Folha on-line

Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Prá você quero contar
O meu sofrer e a minha dor

Sou igual o sabiá
Quando canta é só tristeza
Desde o galho onde está
Nesta viola canto e gemo de verdade

Cada toada representa uma saudade
Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira chão

Todo cheio de buraco
Onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada

Principia o barulhão
Nesta viola, canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Lá no mato tudo é triste
Veja o geito de falar
Pois o Jeca quando canta
Dá vontade de chorar

O choro que vai caindo
Devagar vai se sumindo
Como as águas vão pro mar

Editor/Autor Nilceu


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